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25 dezembro 2013

SANTIDADE NA FAMÍLIA


“Sede santos assim como eu sou santo.” (I Pedro 1:16)

“...eu e minha casa serviremos ao Senhor.” (Josué 24:15)

 Deus criou a família e a chamou para uma vida plena de santidade.

O tema santidade é reconhecido por todos os líderes bíblicos. Inclusive Josué, aquele que conduziu o povo para a terra prometida, convoca todo o Israel a uma renovação de pacto, dizendo que só os que temessem a Deus poderiam servi-lO, porque o Senhor é santo (Josué 24:19). E porque era um chefe de família temente a Deus, com veemência afirmou: “...eu e minha casa serviremos ao Senhor.” (Josué 24:15)

Ao referir-se à santidade de Deus, Josué incluiu logo sua responsabilidade de conduzir toda a sua família ao Senhor, porque a visão de Deus é familiar. Deus conta com a família para que Seu plano se cumpra plenamente (Gênesis 12:1-3).

Deus valoriza tanto o vínculo familiar que condiciona a resposta das orações do marido à sua convivência de boa qualidade com a sua esposa. “Vós maridos, vivei com suas esposas com entendimento, dando honra à mulher... para que não sejam impedidas as vossas orações”. (I Pedro 3:7)

Nós que nascemos de novo devemos deixar Deus fazer o sobrenatural nas nossas vidas, usando-nos como canal para atingir todos os nossos parentes. O problema mais crônico na família é que continuamos vivendo segundo muitos conceitos do mundo; isso atrapalha os planos de Deus em um tempo que é de santidade e de sermos abençoados plenamente.

Por muito tempo, o diabo implantou no meio da família o espírito de divórcio, separação, quebra de princípios e degeneração. É um espírito hereditário que permeia a família e deve ser rejeitado (Malaquias 2:15 e 4:6). Há uma tão grande resistência em nosso coração que só Deus, trazendo os Seus princípios, pode tornar-nos flexíveis, transformando, assim, nossa mentalidade deteriorada pelo pecado. Devemos cumprir a ordenança bíblica: “Sede santos em todo o vosso procedimento” (I Pedro 1:15), e, assim, a família manterá a libertação e a cura.

 Três áreas de chamada profética para a verdadeira santidade


1. Frutificação

A frutificação está relacionada à santidade. É a causa para que as bênçãos sejam cem por cento manifestadas (João 15:4). Frutificar fala do nosso relacionamento familiar, sim, pois devemos a cada dia gerar uma maturidade familiar através do diálogo com o cônjuge e com os filhos. A família precisa gerar amigos. De que forma? Pais e filhos que se respeitam porque compreendem que precisam dar bons frutos dentro de casa primeiro.

2. Multiplicação

Se a espécie do fruto é a santidade na vida do líder, a multiplicação, o resultado, o efeito, será segundo tal espécie. “... deem fruto segundo a sua espécie...” (Gênesis 1:11)

Por isso, devemos primeiro manter a santidade para depois multiplicar. A dificuldade é que muitos não tratam a frutificação e multiplicam problemas. A multiplicação de vidas será de acordo com o caráter do líder. Logo, o líder deve cuidar do seu caráter visando a sua edificação pessoal e a formação do caráter de seu discípulo.

Como discipuladores, precisamos estar atentos, pois nossos discípulos estão olhando para nosso exemplo. Todo líder deve caminhar de tal forma que possa dizer: “Sede meus imitadores, como eu também o sou de Cristo.” (I Coríntios 11:1)

Para muitos, é fácil reunir multidões, mas o verdadeiro êxito está em conservar a santidade na sua vida e na família. Isso é o mais importante, porque, assim, conseguem, consequentemente, levar outros à santidade.

Quando Adão e Eva perderam a santificação, quebraram a aliança, multiplicaram sem santidade e viram um filho matar o outro. O mesmo aconteceu com Abraão, que recebeu uma promessa, mas, para que a mesma se cumprisse, era necessário sair do meio de sua parentela, porém decidiu levar consigo seu sobrinho Ló e sofreu algumas consequências por causa disso. Assim foi com os líderes em Israel que não obedeceram, tiveram frustrações e destruições.

Então, devemos primeiro multiplicar santidade na nossa família, pois sem santidade até conseguimos multiplicar outras coisas, mas atraímos problemas e colhemos consequências nada agradáveis.

3. Governo

Só vamos governar quando frutificarmos e multiplicarmos em santidade. Essa é a chave para a vida do líder. Para Deus, o mais importante é a santidade, pois a santificação nos leva a guardar os princípios divinos, únicos que norteiam uma administração justa em todas as áreas da vida. Além disso, a santidade propicia uma multiplicação na legalidade, com um resultado satisfatório.

O líder que quer governar precisa ter elementos fortes em seu caráter, tais como:


3.1 Santidade

Ser santo é ter uma vida no Altar do Rei. Esta é a vontade de Deus: a nossa santificação. Se um líder não preservar a santidade, não terá êxito nos seus projetos.

3.2 Família modelo

A visão é familiar; um dos alvos principais da Visão é a restauração da família, restaurando-a. O líder tem como responsabilidade primeira sua célula principal, que é a sua família. A santidade dentro de casa é a forma de impedirmos a atuação de espíritos familiares que afetarão a liderança, interferindo também no seu trabalho de formação de discípulos.

3.3 Demonstração de frutos

O líder deve ser o modelo para os fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza (I Timóteo 4:12). O fruto deve ser aparente. Onde aparecerão? No bom relacionamento na família, na Igreja, nas Células, na convivência com os 12, no convívio social.

O líder deverá ser o modelo em tudo. Se nós estivermos com as nossas vidas na presença do Senhor, o respaldo nos acompanha. Cada um de nós deve avaliar como anda nossa vida e permitir que a graça do Rei nos tome completamente.


Vivendo em santidade, veremos o fruto em nossa vida e família. Vamos frutificar, vamos manter a santidade, que é a causa do sucesso. Devemos conservar a santidade para multiplicarmos com êxito e o governo de Deus estará sempre na nossa vida como resultado da autoridade recobrada.

01 março 2013

Os Quatro Pilares da Sustentação da Família

 
O casal é a espinha dorsal da família e a família é a célula máter da sociedade. Com base nestas duas verdades, vamos rever quais são os aspectos funcionais da união conjugal e como podemos desenvolver uma cultura familiar nutridora. Lembre-se, ninguém melhor do que o idealizador da família, que é Deus (Sl 127:1), para dizer como ela deve ser e funcionar. A Bíblia é "o Manual" que ensina todos os passos para se construir um projeto de vida em família que realmente vale a pena. Quando Deus planejou a família não a deixou para que o homem a edificasse da sua maneira, muito pelo contrário, ele deixou princípios que devem nortear toda a construção do projeto. Vejamos quatro princípios imprescindíveis que são como colunas de sustentação na edificação Da família:

 
I. INDEPENDÊNCIA GRATA.
 
"Por isso DEIXA o homem pai e mãe..." (Gn 2:24a) O casamento implica em romper o cordão umbilical de dependência dos pais, é um deixar em três aspectos importantes: geográfico, emocional e financeiro. É sempre bom lembrar que o texto diz deixa, o que é bem diferente de abandona. A causa do fracasso de muitos relacionamentos, é porque o marido ou esposa depois que se casaram deram as costas aos pais abandonando-os. Há um mandamento na Palavra que  Diz: "Honra teu pai e tua mãe ... Para que tudo te corra bem e tenhas longa Vida sobre a terra". (Ef 6:2,3) Gosto de um pensamento que os agricultores usavaram em uma campanha nos Estado Unidos: "Se não gosta do que esta colhendo, olhe para traz e veja o que você plantou", isso se aplicada aqui também. Essa independência tem que ser com muita gratidão, é um deixar para voltar a fim de assistir, cuidar, abraçar e honrar os pais.
 
Um Deixar geográfico - Há um adágio popular muito conhecido que expressa uma grande verdade: "Quem casa, quer casa". Não é prudente o casal logo no inicio da vida a dois, ir morar com os pais. Aqueles que estão começando a caminhada conjugal, precisam aprender e amadurecer assumindo com responsabilidade todas as implicações da vida a dois, o que não acontece se eles estiverem morando com os pais. Seria interessante que o casal começasse a construção do seu projeto de vida conjugal em seu próprio "ninho - casa". A privacidade é fundamental para que a relação se desenvolva e os dois cresçam.
 
Deixar emocional - A privacidade de um lar depende dos limites que o casal estabelece para que sejam respeitados. Onde não há respeito aos limites, não há privacidade. Alguns conflitos conjugais são, muitas vezes, expressão de conflitos de lealdade com a família de origem que não consegue afrouxar e transformar os laços familiares para conseguir ligar-se ao parceiro e formar uma base de uma nova família. Os pais precisam entender que os filhos são temporários e o casamento é permanente. Quando há compreensão desta realidade, acaba a competição entre nora e sogra e a convivência é facilitada. O segredo está no respeitar os limites que o casamento impõe em relação a família de origem.
 
Deixar financeiro - O que dizer dos pais que superprotegem o filho casado, bancando tudo? Sempre que os pais assumem todas as despesas, a tendência é eles sentirem-se donos do casamento do filho. Não seria esta uma das causas dos grandes conflitos em muitos casamentos? Os pais devem ensinar os filhos a pescar, e não passar a vida toda dando peixe nas mãos deles. Tenho insistido nas minhas palestras com os jovens, que o casamento deve acontecer quando o casal tiver condição de se auto-sustentar, para que haja um "deixar" financeiro em relação os pais. Não estou afirmando que os pais não devem ajudar os filhos em tempo de dificuldade. Sou contra o comodismo de muitos filhos e a incensates dos pais que não ensinam os filhos a irem a luta.
 
Casais que vivem na dependência financeira dos pais por causa do comodismo, não crescem no relacionamento conjugal e se tornam um peso para família.
 
II. UNIFICAÇÃO - Aliança
 
"...e se UNE à sua mulher..." (Gn 2:24b) O termo unir ou apegar (como em algumas traduções) lembra a mesma palavra hebraica usada no livro de Josué 23:8. Apegar aqui significa juntar, afeiçoar, adaptar, agarrar, unir, atar, conciliar, harmonizar, ligar, fundir, soldar, associar, colar uma parte na outra, esse é o sentido da união conjugal. No livro de Malaquias há um texto que descreve a seriedade do casamento aos de Deus: "E vocês ainda perguntam: 'Por quê?' É porque o SENHOR é testemunha entre você e a mulher da sua mocidade, pois você não cumpriu a sua promessa de fidelidade, embora ela fosse a sua companheira, a mulher do seu acordo(aliança) matrimonial. Não foi o SENHOR que os fez um só? Em corpo e em espírito eles lhe pertencem. E por que um só? Porque ele desejava uma descendência consagrada. Portanto, tenham cuidado: Ninguém seja infiel à mulher da sua mocidade. 'Eu odeio o divórcio', diz o SENHOR, o Deus de Israel, 'e também odeio homem que se cobre de violência como se cobre de roupas', diz o SENHOR dos Exércitos. Por isso, tenham bom senso; não sejam infiéis". (Ml 2:14-16) É bom deixar claro que, o texto não diz que Deus odeia os divorciados, isto porque em determinadas situações a separação é como uma saída de emergência. Sem dúvida, se dependesse só de Deus, não haveria divórcio. Quando uma separação de casal acontece, ninguém ganha!
 
Por que Deus odeia o divórcio? Porque o casamento foi planejado para ser uma união monógama (o ideal de Deus: um homem para uma mulher e vice-versa), exclusiva (fidelidade) e permanente (não é uma relação descartável). Ainda que muitos tentem provar o contrário, esse é o plano original de Deus para os homens.
 
III. UNIÃO CARNAL - procriação e recreação.
 
"... Tornando-se os dois uma só carne..." (Gn 2:24c)
 
Procriação - (União Física - Biológica) Um dos aspectos funcionais do Casamento é a perpetuação da raça humana, isso está explicitado em Gn 1:28b: "Deus os abençoou, e lhes disse: 'Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra'!..." (BNVI) Há casais que fazem a opção radical de não ter filhos, essa decisão pode no futuro ser a causa de conflitos, desajustes e infelicidade conjugal. Filhos são herança do Senhor (Sl 127:3) e traz equilíbrio na relação de casal, tê-los não é opcional, é uma necessidade. Quando o casal em função de um problema de infertilidade não pode gerar filhos biológicos, eis uma grande oportunidade para gerar a partir do coração (adoção). Casais que adotam crianças, repetem o gesto de Deus, pois Ele só tem um filho legítimo (Jesus) os demais são todos adotados, inclusive eu e você. (Rm 8:15)
 
Recreação - (União emocional) Não se pode negar a volúpia sexual (Pv 5:19). A satisfação que o sexo fornece é o prazer obtido de reafirmação do preito original do mútuo amor. Sem o prazer do sexo, sem a união física, o casamento se torna platônico, estéril e ilusório. A Bíblia é muito rica quando se trata do prazer proporcionado pelo ato conjugal. Há um texto em Provérbios, que numa linguagem figurada, ensina como o casal deve usufruir desta bênção planejada por Deus aos seus filhos.
 
"Beba das águas da sua cisterna (fidelidade), das águas que brotam do seu próprio poço. Por que deixar que as suas fontes transbordem pelas ruas, e os seus ribeiros pelas praças? Que elas sejam exclusivamente suas, nunca repartidas com estranhos. Seja bendita a sua fonte! Alegre-se com a esposa da sua juventude. Gazela amorosa, corça graciosa; que os seios de sua esposa sempre o fartem de prazer, e sempre o embriaguem os carinhos dela". (Pv 5:15-19 BNVI) Paulo o apóstolo, também se preocupou com o ajustamento sexual dos casais da igreja de Corinto, pois só assim eles estariam fortalecidos para vencer as tentações. Gosto da maneira clara como ele coloca o assunto.
 
"O marido deve cumprir os seus deveres conjugais para com a sua mulher, e da mesma forma a mulher para com o seu marido. A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o marido. Da mesma forma, o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher. Não se recusem um ao outro, exceto por mútuo consentimento e durante certo tempo, para se dedicarem à oração. Depois, unam-se de novo, para que Satanás não os tente por não terem domínio próprio". (1 Co 7:3-5 BNVI) O que Paulo está dizendo, é que o ajustamento sexual do casal, é a melhor maneira para se prevenir contra os pecados sexuais.
 
IV. INTIMIDADE - transparência.
 
"O homem e sua mulher viviam NUS, e não sentiam vergonha". (Gn 2:25)
 
Casar é conhecer, e só há conhecimento e intimidade quando homem e mulher se descobrem um para o outro no relaciomento conjugal. Essa nudez na relação de casal, deve ser mais do que física, precisa ser emocional, psicológica e espiritual. Conheço casais que dormem na mesma cama e até se relacionam sexualmente, mas vivem como dois estranhos, não há intimidade, não se conhecem. Quando é que o cônjuge se desnuda interiormente para que o parceiro (a) o conheça? Quando se constrói uma relação de confiança e de amizade dentro do casamento. Ninguém abre as gavetas da intimidade da sua alma, para uma pessoa que não inspira confiança. A falta de liberdade e segurança, faz os casais deixarem de crescer em intimidade. Quando o casal procura desenvolver e aprofundar o compromisso de amizade e confiança na relação, os dois crescem em intimidade e fortalecem o casamento.
 
Conclusão
 
Quando esses quatro princípios independência grata, fidelidade na preservação da unidade, união sexual ajustada e intimidade física, emocional e espiritual são levados a sério, não tem como o casal não ser feliz contando sempre com a bênção do Senhor no relacionamento. Termino dizendo a você que, o meu sonho é ver o maior numero possível de famílias caminhando debaixo da graça do Senhor! 
 
Pr. Josué Gonçalves

20 fevereiro 2013

O Perdão Contínuo de Deus

 
Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.
1João 1.8,9
O Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou a orar em Mateus 6.12 assim: perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores. Ou: perdoa as nossas ofensas como também nós perdoamos as pessoas que nos ofenderam. Isto significa que nós, mesmo justificados, somos devedores, ofensores e pecadores. Ainda que os justificados nunca poderão (jamais!) cair do estado de justificação, pecam.
O nosso Deus Santo abomina o pecado, mas continua a perdoar os pecados daqueles que são justificados. E mais: ainda que um justificado não caia da sua justificação – porque nunca existiu um “desjustificado” na história -, ele poderá cair, com certeza, no desprazer do Pai. Como Deus é um Pai amoroso, naturalmente disciplina, corrige, instrui e consola. Vinde, e tornemos para o SENHOR, porque ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará. Esta passagem em Oséias 6:1 exemplifica bem como Deus trata o seu povo. Em outras palavras o povo de Israel estava dizendo: —Venham, voltemos todos para Deus, o SENHOR. Ele nos feriu, mas com certeza vai nos curar; ele nos castigou, mas certamente nos perdoará. Este é o amor paternal de Deus.
A Confissão de Westminster, capítulo XI, seção V, Da Justificação, expõe: Deus continua a perdoar os pecados dos que são justificados. Embora eles nunca poderão decair do estado de justificação, poderão, contudo, incorrer no paternal desagrado de Deus e ficar privados da luz do seu rosto, até que se humilhem, confessem os seus pecados, peçam perdão e renovem a sua fé e o seu arrependimento. Ref. Mat. 6:12; I João 1:7, 9, e 2:1-2; Luc. 22:32; João 10:28; Sal. 89:31-33; e 32:5.
Por mais que venhamos a agir – e muitas vezes agimos – como ímpios, Deus não nos trata como um juiz cheio de ira, mas como um Pai. Todo aquele que é justificado é tratado como filho; há um pacto eterno inquebrável. É uma nova relação. Porém, quando Deus chama seus filhos rebeldes para uma conversa de “Pai para filhos”, sai de baixo que vem castigo paternal. Não se trata aqui de uma disciplina de um Pai tirano e carrasco, mas de um Pai amoroso que quer corrigir os erros dos Seus e restabelecer Sua graça.
Como não há filho pecador que não retorne arrependido ao Pai (tendo fé em Cristo). O Pai bondoso que está nos Céus, com o Seu olhar perdoador, sempre inclina os Seus a voltar-se para Ele, continuamente, depois de cada deslize, para encontrar perdão. Embora, Sua mão seja pesada, Ele nos diz: se violarem os meus preceitos e não guardarem os meus mandamentos, então, punirei com vara as suas transgressões e com açoites, a sua iniqüidade. Mas jamais retirarei dele a minha bondade, nem desmentirei a minha fidelidade. Sl 89.31-33.
Se você se encontra como filho à beira da disciplina paternal, humilhe-se, confesse o seu pecado, abandone o erro, peça perdão e levante-se para um novo dia de fé e arrependimento. Deus nos perdoa continuamente, por isso nós O tememos.
Raniere Menezes

 

19 fevereiro 2013

O AMOR E O PERDÃO DE DEUS



Jesus confirmou a centralidade do primeiro mandamento citando Deuteronômio 6.5 em três passagens dos evangelhos. O amor pelo Senhor foi elevado por Jesus à mais alta posição entre os deveres espirituais impostos pelo próprio Deus. Envolve todo o coração, toda a alma, todo o entendimento e todas as forças. Distinto de muitos outros deveres bíblicos, o amor por Deus – que vai muito além de atos e práticas externas – deve ser o componente principal da espiritualidade. A maior e melhor afirmação que se pode dizer de alguém é que ele amou ao Senhor. [...]
Em certo momento, quando Jesus foi hóspede na casa de um fariseu chamado Simão, o Filho de Deus teve a oportunidade ímpar de ilustrar tanto o que gera amor como o meio pelo qual esse amor se expressa. Durante um jantar, uma “pecadora” trouxe um frasco de alabastro com perfume. Molhou os pés de Jesus com suas lágrimas, para em seguida enxugá-los com seus cabelos, beijá-los e ungi-los com perfume (Lucas 7. 37-38). As objeções de Simão incitaram uma resposta inesperada. Jesus contou a história de dois homens em débito: o primeiro, com uma dívida dez vezes maior que o outro. Sem nada com que pagar o credor, ambos tiveram suas dívidas perdoadas.
Depois deste breve relato, Jesus argüiu o fariseu sobre qual dos dois homens seria capaz de amar mais o credor que tinham em comum. “Suponho que será aquele a quem foi perdoada a dívida maior”, foi a resposta. Depois de contrastar como Simão o tratou e como a “pecadora” agiu, Jesus declarou que “os muitos pecados dela lhe foram perdoados: pois ela amou muito. Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama” (Lucas 7.47 NVI). [...]
 
O autoexame da vida daqueles que pecam confirma que, uma vez perdoados, amam mais a Deus. A certeza da gravidade de seus pecados é proporcional à força com a qual se apegam ao Senhor da misericórdia. Certamente, são os que mais apreciam o perdão recebido. Em seus delitos, eles enxergam e identificam crimes cometidos contra o próprio Deus. O que importa para aumentar o amor é a intensidade da convicção do pecado que Deus apaga com sua maravilhosa graça. [...]
Imagino que a mulher pecadora teve um contato prévio com Jesus, o que levou à transformação de seus muitos pecados (na dimensão da mente) de simples erros deslizes morais em terríveis insultos, blasfêmias e rebeldia contra Deus. Daí as lágrimas, os beijos e o derramamento do perfume, expressando a emoção do arrependimento que sentia. Trata-se do amor genuíno que parte o coração do pecador culpado. Disse John Piper: “Ninguém chora pela falta de santidade se não tiver amor por aquilo que não tem”.
 
[...] Com extrema facilidade as pessoas derramam lágrimas por perdas financeiras, por uma boa reputação maculada, pelo falecimento de entes queridos. Entretanto, quem chora pelo câncer do pecado contra o único e absolutamente santo e amoroso Deus?

Fonte: SHEDD, Russell. “Em busca da genuína espiritualidade. In.: BOMILCAR, Nelson (org.). O melhor da espiritualidade brasileira. São Paulo: Mundo Cristão, 2005. p. 39-40.

18 setembro 2012

O Amor de Deus

 
Henrique Drummond diz que o amor é a coisa maior do mundo. E do nosso ponto de vista o amor é a coisa maior em Deus. Sem amor Sua justiça nos condenaria; Sua santidade nos afastaria de Sua presença e Seu poder nos destruiria. O amor é a única esperança dos pecadores e nossa maior preocupação deve ser a descoberta do amor de Deus para conosco.
Quanto à Sua natureza moral, diz-se que Deus é duas coisas: luz e amor. "Deus é luz". 1 João 1:5. Nas Escrituras as trevas simbolizam o pecado e a ignorância, e a "luz" é símbolo de santidade e de entendimento. "Deus é amor". 1 João 4:8. Luz e amor são perfeições que se equilibram na Sua natureza. Sendo que Deus é luz, Seu amor não é fraqueza de boa índole nem indulgência de boa natureza. Porque Deus é luz, Seu amor é um amor santo, e não um simples sentimento. O amor de Deus nunca entra em conflito com Sua santidade. Desde que Ele é luz, nunca o pecado de Seu povo é desculpado, "Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho". Hebreus 12:6.
O amor de Deus pode ser definido como um princípio eterno de Sua natureza pelo qual Ele é movido a conferir bênçãos eternas e espirituais. O amor é a causa que move todos os Seus atos de misericórdia e graça. O amor de Deus é a prova de que todas as coisas operam para o bem final do Seu povo; ele é a base de toda a Sua atividade de redenção.

CARATERÍSTICAS DO AMOR DE DEUS

1. Seu amor é eterno. "Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí". Jeremias 31:3. Aqui o segredo da atração do pecador a Deus é explicado. Ele atrai porque Ele ama. "Bem-aventurado aquele a quem escolhes, e fazes chegar a ti". Salmo 65:4. O amor que nos comprou, também nos procurou, e trouxe-nos a um lugar de segurança, até mesmo ao Propiciatório... Jesus Cristo. Nunca houve tempo quando Deus não amasse Seu povo, e nunca haverá tal dia. Ele nos amou tanto antes de sermos salvos quanto após sermos salvos, "em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores". Romanos 5:8.

2. Deus é imutável. Deus não muda nem pode haver mudança em Seu amor. "Como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim". João 13:1. O amor de Deus por Seu povo não teve princípio e, bendito seja Seu nome, ele jamais terá fim. É como o próprio Deus, de eternidade a eternidade. O argumento principal de Paulo pela segurança do salvo é que nada pode nos separar do amor de Deus... nada na sepultura do passado, nada nos perigos do presente nem nada no ventre do futuro. O amor de Deus não é sujeito a mudança.
O amor de Deus não varia, nem conhece final; donde corre, sempre corria, do trono manancial.

3. O amor de Deus é soberano. Isto é auto-evidente. Deus é soberano, consultando Seu próprio prazer majestoso, e operando todas as coisas conforme o conselho de Sua vontade. Portanto, segue-se que Seu amor é soberano. Ele, por Si mesmo, escolhe os objetos de Seu amor. Se ama a Jacó e odeia a Esaú, quem O critica? Se ama o pecador caído e odeia o anjo caído, quem interrogará o Seu direito de agir de tal maneira? Se é verdade que Ele "compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer". Romanos 9:18. "Quem és tu, que a Deus replicas"? Romanos 9:20.
Nada há no pecador que faça Deus amá-lo; ninguém pode reivindicar o direito do amor divino; Seu amor é soberano e de graça. O que existia no pecador que atraísse o coração de Deus? Absolutamente nada! A verdade é que tudo merecia Sua ira; tudo pelo que talvez me odiasse. O único motivo de Sua atração por nós foi Seu querer, Seu desejo.

4. O amor de Deus é eficaz. Isto é óbvio, pois é o amor do Todo-Poderoso. Grande é o significado de ser amado por Deus. Muitas vezes somos amados pelos que não podem nos ajudar. Eles não têm a capacidade de fazerem por nós o que desejariam fazer. Tal amor é insuficiente pela falta de poder para torná-lo eficaz. Dario amava a Daniel, mas não tinha o poder para salva-lo. Mas nós somos amados pelo Todo-Poderoso, a quem nada é difícil. Os objetos do amor de Deus são eternamente seguros. Aquele que se assegura do amor de Deus, assegura-se também duma morada celestial.
A pergunta fundamental é esta: Como posso saber se Deus me ama? Como posso estar certo de que tudo opera para o meu bem? A resposta: Certifique-se de que ama a Deus. Meu amor por Deus evidencia o Seu amor por mim. "Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro". 1 João 4:19. Seu amor em nós criou nosso amor por Ele. "O amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus". João 4:7.

MANIFESTAÇÕES DO AMOR DE DEUS

Deus é amor e Ele manifesta o que Ele é. Não existem atributos divinos vãos em Deus. Não há tal coisa como amor secreto. O amor se mostra exteriormente, quer seja de Deus, quer seja do homem. O amor é um princípio ativo e vivo da vida.

1. O amor de Deus pelo pecador manifestou-se na dádiva de Seu Filho. O amor doa. O amor dá de que tem de melhor. Deus amou de tal maneira que deu Seu Filho unigênito. Cristo amou à igreja de tal maneira que deu-Se a Si mesmo por ela. Efésios 5:25 . O Bom Pastor dá a Sua vida pelas Suas ovelhas. João 10:11. Como um judeu típico, Nicodemos pensava que Deus amava somente aos judeus, mas nosso Senhor lhe disse que Deus amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho unigênito, para que todo aquele que nEle crê (judeu ou gentio) não pereça, mas tenha a vida eterna. Até serem ensinados de outra maneira, os próprios apóstolos de Cristo pensavam que o rebanho estava entre os judeus, mas o Senhor os corrigiu dizendo: "E dou minha vida pelas ovelhas. Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor". João 10:15-16. As ovelhas para os judeus estavam num rebanho, uma circunscrição cerimonial que os distinguia dos gentios. As ovelhas para os gentios não tinham sido sujeitas às leis cerimoniais. Ao salvar as ovelhas entre os judeus, Cristo as tirou do rebanho (judaísmo), e as fez um com as ovelhas entre os gentios que ouviram Sua voz, havendo assim somente um rebanho e um Pastor. Todo o povo de Deus é um em Cristo, pois, "não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus". Gálatas 3:28. Isto não ensina que não existe esferas diferentes no serviço de Deus, mas antes que todos são salvos por uma salvação comum.

2. O amor de Deus é manifesto no novo nascimento. Por natureza somos filhos da ira; mas por um nascimento sobrenatural nos tornamos filhos de Deus. "Não são os filhos da carne que são filhos de Deus". Romanos 9:8. João diz: "Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus". 1 João 3:1. Não somos apenas chamado filhos, mas somos feito filhos de Deus pelo novo nascimento. Somos filhos dum chamado divino: o chamado eficaz que vem com o novo nascimento.

3. O amor de Deus é manifesto na disciplina. A disciplina é uma expressão e prova de amor. "Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho". Hebreus 12:6. Aqui está a prova de que nenhum filho de Deus é perfeito. Todos precisam de açoite. A palavra corrigir significa; treinar um filho, criá-lo, e a palavra açoitar significa surrar. Os filhos necessitam de treino e açoites, e o amor de Deus nos dará o que necessitamos. A correção vem da mão amorosa dum Pai sábio: a condenação vem dos lábios retos dum Juiz santo e justo. Quando os santos são confrontados por causa do pecado, eles são corrigidos por um Senhor para não serem depois condenados com o mundo. 1 Coríntios 11:32. A correção não é prazerosa, mas é proveitosa; ela multiplica os frutos de retidão e nos faz participar da Sua santidade. Hebreus 12:10-11.

VÁRIOS ASPECTOS DO AMOR DE DEUS

Alguns teólogos falam de vários tipos de amor divino, mas preferimos pensar de um princípio divino com várias emoções, de acordo com o objeto que há de receber Seu amor. Apreciamos o que Dr. Kerfoot tem a dizer sobre este assunto:
"Se o objeto do amor é amável, então a emoção de amor é complacência. Se o objeto precisa de bondade ou beneficência, a emoção é benevolência. Se o objeto encontra-se em estado de angústia, a emoção é de compaixão ou piedade, etc. Do mesmo modo que o princípio fundamental do fogo é o mesmo seja qual for a matéria consumida, assim o amor divino sempre se baseia no mesmo princípio".

1. Quando o amor de Deus atua sobre Si mesmo ou sobre criaturas inocentes, este é um amor de complacência. É este o aspecto de Seu amor para com Seu Filho em quem Se compraz, e em quem sempre se deleita. Seu amor pelos anjos é do mesmo tipo, um amor de complacência e deleite.

2. Quando o amor de Deus é para com o pecador, como objeto que precisa de misericórdia, então é manifesto em forma de piedade e compaixão. Os santos eram por natureza filhos da ira, mas Deus que é rico em misericórdia, por causa de Seu amor para conosco, nos vivificou juntamente com Cristo. Efésios 2:3-5. Em misericórdia Ele desperta o pecador morto para a vida, e esta maravilhosa misericórdia é resultante de Seu grande amor. O grande amor pelos pecadores resulta em misericórdia e graça abundante. Uma prostituta suja, embriagada que enchia o ar com gritos e palavras obscenas, era arrastada pela rua por dois policiais. De repente uma linda senhorita bem vestida saiu e a beijou. Num momento de lúcido espanto, a vil criatura perguntou estupefata: "Por que me beijou?" "Por amor", respondeu a jovem. Será tal exemplo de amor uma surpresa? Então lembre-se que a distância moral entre Deus e o pecador é muito além desta; mas Ele ainda curva-Se para dar o beijo da reconciliação.
Que grande amigo é meu Jesus. Tão santo, bom e terno! Sem outro igual, é o Seu poder e o seu amor supremo. Para esta ovelha sem vigor, olhou com simpatia; e sua tão bondosa mão, serviu-me então de guia.
Autor: C. D. Cole

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